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Les grands chaleurs arrivèrent

Não terei sido o primeiro a ficar impressionado com a noção de dever amoroso presente nas confabulações peri-românticas e à moitié heróicas de Julien Sorel.

Com franqueza, diz alguma coisa do meu carácter que as moções do amor se tornem mais fáceis a partir do momento em que a obligatio é introduzida. Mas percebe-se; eis a introdução ex machina de um elemento de ordem exterior, de uma linha claríssima no seio de uma tempestade de indefinições, de uma causalidade tantas vezes repetida na vida exterior de uma vida em sociedade. Julien Sorel não poderia agir de outra forma, não mais do que conseguiria pensar diversamente: naquele mundo de que é feita a crónica no Le Rouge et le Noir, a aparência de racionalidade era a imperatriz constante, e o frémito do coração o seu revoltado sazonal.

Les grandes chaleurs arrivèrent. On prit l’habitude de passer les soirées sous un immense tilleul à quelques pas de la maison. L’obscurité y était profonde. Un soir, Julien parlait avec action, il jouissait avec délices du plaisir de bien parler et à des femmes jeunes ; en gesticulant, il toucha la main de madame de Rênal qui était appuyée sur le dos d’une de ces chaises de bois peint que l’on place dans les jardins.
Cette main se retira bien vite; mais Julien pensa qu’il était de son devoir d’obtenir que l’on ne retirât pas cette main quand il la touchait. L’idée d’un devoir à accomplir, et d’un ridicule ou plutôt d’un sentiment d’infériorité à encourir si l’on n’y parvenait pas, éloigna sur-le-champ tout plaisir de son cœur.

Ses regards le lendemain, quand il revit madame de Rênal, étaient singuliers ; il l’observait comme un ennemi avec lequel il va falloir se battre. (…)

Ou: como uma passagem no início de um livro que desejaríamos nunca terminar resume impecavelmente o carácter do seu maior protagonista.

Mesmo privilegiando a ambivalência do seu trato pela burguesa madame de Rênal — a qual, nessa condição, lhe motivava uma aporia de desprezo e um ímpeto sabotador a partir do interior das fortificações sociais montadas pelo seu prestigiado marido — Julien apropria-se do seu status de inimiga de sociedade para a transportar para outro pedestal, o de inimiga em sentimentos. Mudando-se a luz quente que incidia sobre esses mármores, persiste todavia a atitude de combate. Julien desconhecia-o certamente, mas quantos poetas já não tinham cantado as virtudes de uma tal postura venusiana?

Il abrégea beaucoup les leçons des enfants, et ensuite, quand la présence de madame de Rênal vint le rappeler tout à fait aux soins de sa gloire, il décida qu’il fallait absolument qu’elle permît ce soir-là que sa main restât dans la sienne.

Le soleil, en baissant et rapprochant le moment décisif, fit battre le cœur de Julien d’une façon singulière. La nuit vint. Il observa, avec une joie qui lui ôta un poids immense de dessus la poitrine, qu’elle serait fort obscure. (…)

On s’assit enfin, madame de Rênal à côté de Julien, et madame Derville près de son amie. Préoccupé de ce qu’il allait tenter, Julien ne trouvait rien à dire. La conversation languissait. ”Serai-je aussi tremblant et malheureux au premier duel qui me viendra ?” se dit Julien (…).

Dans sa mortelle angoisse, tous les dangers lui eussent semblé préférables. Que de fois ne désira-t-il pas voir survenir à madame de Rênal quelque affaire qui l’obligeât de rentrer à la maison et de quitter le jardin ! La violence que Julien était obligé de se faire était trop forte pour que sa voix ne fût pas profondément altérée; bientôt la voix de madame de Rênal devint tremblante aussi, mais Julien ne s’en aperçut point. L’affreux combat que le devoir livrait à la timidité était trop pénible pour qu’il fût en état de rien observer hors lui-même. Neuf heures trois quarts venaient de sonner à l’horloge du château, sans qu’il eût encore rien osé. Julien, indigné de sa lâcheté, se dit : ”Au moment précis où dix heures sonneront, j’exécuterai ce que, pendant toute la journée, je me suis promis de faire ce soir, ou je monterai chez moi me brûler la cervelle“.

A prontidão com que Julien se submete à pressão de um termo dies certus an certus quando, solenemente anunciado pelos carrilhões de um relógio, dir-se-ia à partida secundária à sua decisão inicial de perspectivar a corte como um combate, e o enlace de mãos como um dever. É, na verdade, extremamente significativo que o derradeiro impulso, mais uma vez exterior, seja programado por Julien como urgência de último recurso. Fiel e forte nas suas convicções, o nosso herói precisa no entanto de um estímulo tão absurdamente deslocado dos impulsos do amor e tão friamente mecânico como o soar de uma hora determinada antes que possa executar os seus melhores planos.

Bem se poderá dizer; Julien não ama, mas essa conclusão também nunca deixou de ser óbvia. O que é realmente admirável é ver como Julien escolhe o método de amor. A sua extrema artificialidade de homem de princípios é um pretexto de reflexão para os leitores que com ela se deparem. Com estes parágrafos, surpreendi em mim mesmo alguns sorelianismos de que já me apropriei, no passado, como muleta literária para superação de momentos que — não devido a um sentido de combate social mas a ditâmes lamecha e estritamente amorosos — como um colosso sem solução se me opunham. A leitura continuada do Vermelho e do Negro demonstra mais tarde o que será desse Julien quando for confrontado com sentimentos de genuína comoção sentimental. Onde estão esses mecanismos, Sorel, quando o teu coração verdadeiramente se apressa? Onde esse dever, onde essa vinculação? Onde a racionalidade que impediria o crime pelo qual te condenarão?

Après un dernier moment d’attente et d’anxiété, (…), dix heures sonnèrent à l’horloge qui était au-dessus de sa tête. Chaque coup de cette cloche fatale retentissait dans sa poitrine, et y causait comme un mouvement physique.

Enfin, comme le dernier coup de dix heures retentissait encore, il étendit la main et prit celle de madame de Rênal, qui la retira aussitôt. Julien, sans trop savoir ce qu’il faisait, la saisit de nouveau. Quoique bien ému lui-même, il fut frappé de la froideur glaciale de la main qu’il prenait; il la serrait avec une force convulsive; on fit un dernier effort pour la lui ôter, mais enfin cette main lui resta.

Son âme fut inondée de bonheur, non qu’il aimât madame de Rênal, mais un affreux supplice venait de cesser.

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O regresso de Albion

É curioso que seja em francês que eu pense as minhas viagens, da mesma maneira que é essa língua que me oferece as colorações necessárias às reflexões dos trajectos transfronteiriços. Depois de regressar das mesmas ruas que Dickens descreveu (sem falar dos escritores e escritoras do Bloomsbury, “que viviam em quadrículas e amavam em triângulos“) ou dos lodgings do Dr. Samuel Johnson e o seu very fine cat indeed, é um francês do século XIX que melhor resume a viagem inglesa.

A son retour : — Quelle idée amusante m’apportez-vous d’Angleterre ? lui dit M. de La Mole…

Il se taisait.

— Quelle idée apportez-vous, amusante ou non ? reprit le marquis vivement.

— Primo, dit Julien, l’Anglais le plus sage est fou une heure par jour; il est visité par le demon  suicide, qui est le dieu du pays.

2ë L’esprit et le génie perdent vingt-cinq pour cent de leur valeur en debarquant en Angleterre.

3ë Rien au monde n’est beau, admirable, attendrissant comme les paysages anglais.

— A mon tour, dit le marquis:

— Primo pourquoi allez-vous dire, au bal chez l’ambassadeur de Russie, qu’il y a en France trois cent mille jeunes gens de vingt-cinq ans qui desirent passionnément la guerre? Croyez-vous que cela soit obligeant pour les rois ?

— On ne sait comment faire en parlant à nos grands diplomates, dit Julien. Ils ont la manie d’ouvrir des discussions sérieuses. Si l’on s’en tient aux lieux communs des journaux, on passe pour un sot. Si l’on se permet quelque chose de vrai et de neuf, ils sont étonnés, ne savent que répondre, et le lendemain matin, à sept heures, ils vous font dire par le premier secrétaire d’ambassade qu’on a été inconvenant.

Stendhal, Le Rouge et le Noir

E uma tradução livre, porque não:

No seu regresso: – Que ideia divertida me traz de Inglaterra? perguntou-lhe M. de la Mole…

Ele mantinha-se silencioso.

– Que ideia me traz, divertida ou não? retomou o marquês vivamente.

– Primo, disse Julien, o inglês mais sábio fica louco uma vez por dia; visita-o o demónio do suicídio, que é o deus do país.

Segundo, o espírito e o génio perdem vinte e cinco porcento do seu valor desembarcando em Inglaterra.

Terceiro, nada no mundo é tão belo, admirável, enternecedor como as paisagens inglesas.

– Agora é a minha vez, disse o marquês:

– Primo, porque foi você dizer, no baile da embaixada russa, que existem em França trezentos mil jovens de vinte e cinco anos que desejam ardentemente a guerra? Acaso crê que isso seja lisonjeador para os reis?

– Não se sabe como falar aos nossos grandes diplomatas, disse Julien. Eles têm a mania de abrir discussões sérias. Se nos limitamos aos lugares comuns dos jornais, fazemos figura de palermas. Se nos permitimos algo de verdadeiro e de novo, eles ficam pasmados, não sabem o que responder, e na manhã seguinte, às sete horas, informam-nos através do primeiro secretário da embaixada que fomos inconvenientes.

Ajuizar a deterioração do génio e do espírito é – pelas minhas bandas – um exercício de futilidade, actividade seca que incide sobre duas qualidades que nunca em mim primaram pelas suas decorosas alturas. Mais que um insulto elegante, sempre interpretei esta arrogante boutade de Julien no sentido de indiciar uma realidade societária tão simples, prática, e despida de presunção, que qualquer manifestação individual de brilho que nascesse empolada e embriagada de altivez perderia imediatamente grande parte do seu valor.

Isso é algo que até uma curta visita comprova. Há decerto uma vida comunitária admirável, e mesmo nos centros urbanos se assiste à discreta exaltação de um individualismo colectivo que alegremente se encontra estratificado por classes ou gostos. Hierarquia sem subordinação, estratificação sem perda de ambição ou modéstia. Talvez seja isso, viver em sociedade. Senti que era impossível subsistir numa respiração pesada de presunção. E nada mais natural do que levar a flâmula fátua da lamparina aproximar-se um pouco demais do papel em que laborava, alimentando com essas letras inúteis a chama da simplicidade purificadora. As linhas sobre as quais desesperei e cujo maior mérito seria o de destruírem o tempo de quem as lesse jazem destrambelhadas no fundo de um caixote. Também ele completamente despido de pretensões, seguramente.

Por exemplo: há alguns meses atrás diria que isto prefiguraria uma espécie de vita nuova (especialmente apta, tendo em conta os dissabores sentimentais que me regressaram em voga). Agora digo simplesmente que é uma simples continuação da grande vita vanus.

Mas há outras observações, tolices, realmente. A vida londrina, por exemplo, é apressada e apeada. O Tubo, sobrevalorizado e sobrestimado. Nada como uma greve de dois dias para o demonstrar, obrigando a caminhadas de Kensington até à City, ou a corta-matos pelos parques onde esquilos desavergonhados pulam nos relvados (e porque motivo me vêm à cabeça os javalis do Domínio dos Deuses? Deve ser tudo uma questão de brochuras e leões). Mesmo em dias comuns, eu era regularmente ultrapassado nos passeios por fogueteantes e diminutas loirinhas de saltos altos, e sou a pessoa com o caminhar mais rápido que conheço. Os advogados e executivos (que não usavam gravata – eu repito, não usavam gravata) calçavam ténis e embalavam parques acima e ruas abaixo. Não havia camisas coloridas ou invenções de blazer. Atléticos corredores embaraçados furavam os magotes do cosmopolitanismo com destreza e suor inodoro. Alguns dos melhores museus do mundo eram completamente gratuitos, locais gigantescos que reuniam as provas descomprometidas de séculos de pilhagem artística e histórica. Vamos desculpar a Pedra de Roseta. Ou os sarcófagos. Consta que o “Ginger” era já como se fosse inglês. Sutton Hoo é indubitavelmente deles (e assombroso! então era assim que se vestiam os gardena in gear dagum de outras tempos, hoje tão corroídos pelas eras como os versos fragmentários da Batalha de Maldon). E declaremos convictamente: os relevos assírios foram postos a salvo. Todos aqueles leões moribundos, trespassados de flechas e debruados a sangue, ter-se-iam diluído como lentas carcaças no deserto. Os frisos atenienses teriam derretido sob as chuvas ácidas da acrópole. É difícil não beber chá e pigarrear com uma pitada de colonialismo. Eu aqui a gastar fortunas para ir à Toscânia, Marcas e Veneza olhar para as Scuoli e estes meninos com uma colecção gordíssima de Bellinis, Crivellis e Veroneses na National…)

Oh, não é o pináculo da sofisticação e do conforto, mas é um sítio a que muito facilmente uma pessoa se habitua a chamar de casa.

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A continuação dos romances

Na conversa da Câmara Clara de 19 de Abril, António Feijó e Vasco Graça Moura conversaram um pouco sobre um tema invulgar nos nossos dias: o romance e as histórias de amor. Um bom momento televisivo.

E trouxeram óptimos exemplos. Depois de avançar alguns apontamentos sobre a importância do corpo da obra de Shakespeare (em que o chavão bloomiano de “o inventor do humano” começa a fatigar), exibiu-se, de um lado o incontornável Madame Bovary, Chéri, O Eterno Marido. Do outro lado da mesa, perfilavam-se as obras de Camilo Castelo Branco, os seus Amores de Perdição e de Salvação, a sua Sereia. Mas também houve tempo para Jane Austen, O Vermelho e o Negro, A Princesa de Clèves.

Se eu tivesse de criar uma lista de cinco romances de amor, e tendo presentes as interessantes considerações que foram feitas durante o programa, provavelmente seria esta a lista: Noites Brancas de Fiódor Dostoiévski, The End of the Affair (O Fim da Aventura) de Graham Greene, La Chartreuse de Parme (A Cartuxa de Parma) de Stendhal, Wuthering Heights (O Monte dos Vendavais) de Emily Brontë e a Vita Nuova de Dante Alighieri.

Estou perfeitamente ciente que a minha última escolha dificilmente se poderá considerar um romance, cinzelada como está sob o denominativo do libreto. É verdade que a sua estrutura dual aproxima-se mais do lirismo do que da veia romancista, mas também é interessante notar o efeito total que esta inscrição de amor a Beatrice provoca no leitor. Quem se depare com este texto só raramente sentirá que lê um punhado de sonetos, intercalado de notas explicatórias – ou até revisionistas – pelo poeta apaixonado: é maior o feito de Dante, de alcançar nesta pequena dedicatória uma voz especialmente honesta, livre, num registo tão genuinamente apaixonado e comovente que a forma concreta do seu invólucro simplesmente se desvanece.

As minhas outras escolhas são mais convencionais mas dirigem-se a algumas questões suscitadas no programa. António Feijó elegeu o adultério como o campo de eleição para o romance do século XIX, mas se isso é válido para uma Madame de Rênal ou uma Madame Bovary, já não o será para Heathcliff e Catherine Earnshaw, os protagonistas amorosos do assombroso Monte dos Vendavais de Emily Brontë. É a força do casamento, mas também a da adopção, dos costumes sociais e dos tratos familiares, que separam a bela Catherine do fogoso Heathcliff. É um amor sem consumação possível, que destrói Heathcliff e o atira para um trilho de crueldade e amargura que ainda hoje nos aparece como inacreditavelmente chocante. Mas esse é o poder do amor, e o romance regista como Heathcliff – traído pelas instituições da família – rapidamente se apressa a convolar essas mesmas linhas numa deturpação patriarcal, senhoriando uma prisão de aparências onde prolonga o seu sofrimento na geração seguinte.

Pelas suas personagens dramáticas, pelo horror e a maldade do apaixonado, pela mágoa do herói e a sua terrível obsessão em atormentar a geração de herdeiros (a quem impende a promessa de redenção do desgosto entre de Heathcliff e Catherine), Wuthering Heights gravou um lugar ímpar na história do romance amoroso. Tenho dificuldade ainda hoje em lhe encontrar uma obra que esteja em altura quando se trata de percorrer a irascibilidade e a fúria desses horrendos sentimentos que desfiguram e desfazem e condenam os apaixonados impossíveis, e actualmente – superado o formalíssimo registo vitoriano que contrasta maravilhosamente com a genuidade de emoções das suas personagens – duvido que seja possível igualá-lo.

Se este é um amor que não atinge a consumação, estamos todavia muito longe do platonismo suave que Noites Brancas exala. Acho que mencionar este livrinho depois de Wuthering Heights é tão apropriado como calmante. Os seus leitores poderão encontrar uma levíssima ficção, em que um sonhador conversa com uma linda jovem, apaixona-se, e depois – no sonho que é dele – renuncia à felicidade e deixa-a afastar-se.

Outra configuração frequentemente utilizada pelos romances de amor é a do triângulo amoroso. A minha escolha de The End of the Affair não destoa: simplesmente, quem se encontra no vértice é Deus. Este é o modo pelo qual Graham Greene redefine o romance católico em tempos de guerra. Sarah Miles, adúltera e apaixonada de Maurice Bendrix, atravessa um momento de desespero quando um V1 desmorona a casa onde os amantes proibidos acabavam de fazer amor. Bendrix parece morto, e uma lacrimejante Sarah implora a Deus que o salve, que lhe dê a vida, jurando-Lhe jamais pecar em adultério se ao menos aquele homem, que ela ama acima de tudo, não morrer. Bendrix levanta-se e Sarah é rasgada pela tristeza e alegria. O amante vê no seu estranho olhar a assumpção da existência de um outro amante, e o romance adquire a comovente e inexorável cinética de um aríete de aço, chuvas invernais, ciúmes profundos, e de um final trágico.

Resta-me a Cartuxa de Parma, que nunca é trágico mesmo quando é triste. Está na minha lista porque é uma celebração dos sentimentos de amor aristocrático e juvenil transplantado para uma esplendorosa Itália. Depurada dos conturbados quadros políticos que dominam o Vermelho e o Negro e a viagem sentimental de Julien, a exemplar narrativa contempla o turbulento percurso de Fabrice e Clélia à luz dos moderados Gina e Mosca. Quem poderá dizer quem são os verdadeiros protagonistas deste  romance? Apenas quem reconhecer que é do amor cortesão partilhado entre a Duquesa de Sanseverina e o Conde Mosca que os ímpetos de Fabrice podem ser melhor apreciados.

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