Se tiverem alguns minutos livres durante as incursões blogosféricas, recomendo a passagem pelo blog da Relógio D’Água. Francisco Vale escreveu uma excelente radiografia comentada do papel e posição do tradutor na engrenagem editorial e na difusão da cultura.
Sei que muitas vezes refiro-me a determinadas traduções com algum desfavor ou até desconfiança, e que sou intransigente perante as versões originais das línguas que domino (ou que tenho a fatuidade de considerar dominadas). Há aqui muita triste arrogância, mas também o apego a uma debilitante restrição que me imponho: a de nunca considerar um livro verdadeiramente lido até o ter consumido na sua língua de origem.
A não ser, claro, que se trate de literatura em língua castelhana. Aí o livro só ganha em ser traduzido várias vezes, de preferência a partir de outras línguas – tal como a obra de Edgar Allan Poe. Vá, pronto, não, estou a falar (muito) a sério.
Nada disto impede que eu admire a profissão e o labor de tradução: não é assim que todos começamos a ler o resto do mundo? Afinal de contas, o tradutor é um Phoros, transportando um belo e doloroso Eu. Michel Tournier confere.