— Agora podemos vê-la — disse o general. — Por favor, meu caro — dirigiu-se ao seu ajudante-de-campo, um jovem bastante lesto e de aparência agradável —, manda trazer a minha égua baia! Agora, vão ver. — O general tirou uma fumaça, soltou uma baforada. — Não está cuidada como devia: maldita cidade, não há uma cavalariça razoável. A égua (pff, pff) é bem boa!
— Então, há quanto tempo (pff, pff) Vossa Excelência tem esta égua? — perguntou Tchertokútski.
— Pff, pff, pff… Ora bem, pff, não há muito. Há dois anos apenas que a comprei na coudelaria!
— Então, e Vossa Excelência comprou-a já adestrada ou adestrou-a em casa?
— Pff, pff, pff, ff, ff, pf…f… f… pff, em casa. — Dizendo isso, general desapareceu por entre o fumo.
(…)
— Parece-me, Excelência — observou o coronel —, que não há caleche melhor do que a vienense.
— Tem toda a razão, pff, pff, pff.
— Eu, Excelência, tenho uma caleche extraordinária, de verdadeiro fabrico vienense — disse Tchertokútski.
— Qual? Essa em que veio?
— Oh não! Esta é a do dia a dia, para eu andar por aí, mas a outra… é espantosa, levezinha como uma pena; se Vossa Excelência se sentar nela tem a sensação, desculpe a expressão, de estar a ser embalado no berço pela ama!
— Ou seja, é confortável?
— Confortável? Muito: almofadas, molas, tudo como mum quadro.
— Isso é bom.
Contos de São Petersburgo (A Caleche) – Nikolai Gógol