Das onomatopeias e do riso, ou para a Catarina

— Agora podemos vê-la — disse o general. — Por favor, meu caro — dirigiu-se ao seu ajudante-de-campo, um jovem bastante lesto e de aparência agradável —, manda trazer a minha égua baia! Agora, vão ver. — O general tirou uma fumaça, soltou uma baforada. — Não está cuidada como devia: maldita cidade, não há uma cavalariça razoável. A égua (pff, pff) é bem boa!

— Então, há quanto tempo (pff, pff) Vossa Excelência tem esta égua? — perguntou Tchertokútski.

Pff, pff, pff… Ora bem, pff, não há muito. Há dois anos apenas que a comprei na coudelaria!

Então, e Vossa Excelência comprou-a já adestrada ou adestrou-a em casa?

Pff, pff, pff, ff, ff, pf…f… f… pff, em casa. Dizendo isso, general desapareceu por entre o fumo.

(…)

Parece-me, Excelência observou o coronel , que não há caleche melhor do que a vienense.

Tem toda a razão, pff, pff, pff.

Eu, Excelência, tenho uma caleche extraordinária, de verdadeiro fabrico vienense disse Tchertokútski.

Qual? Essa em que veio?

Oh não! Esta é a do dia a dia, para eu andar por aí, mas a outra… é espantosa, levezinha como uma pena; se Vossa Excelência se sentar nela tem a sensação, desculpe a expressão, de estar a ser embalado no berço pela ama!

Ou seja, é confortável?

Confortável? Muito: almofadas, molas, tudo como mum quadro.

Isso é bom.

 

Contos de São Petersburgo (A Caleche) – Nikolai Gógol

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