Dia da Vitória

8 de Maio de 1945; e o Terceiro Reich assinava a rendição incondicional da Wehrmacht, meros dias após a tomada de Berlim pelo Exército Vermelho. Depois de quase seis anos – e exceptuando alguns focos de resistência como Praga – a guerra na Europa terminava.

O instrumento de capitulação nazi entrou em vigor na Alemanha pelas onze da noite, razão pela qual o fuso horário de Moscovo ditou o dia 9 de Maio como o Dia da Vitória. Até hoje, os beligerantes deste lado e os bravos do leste celebram as suas paradas em dias diferentes, mas não haverá dificuldade em marcar a data com um especial fascínio pela emblemática parada do Dia da Vitória, na Praça Vermelha, que todos os anos se repete com pompa e altivez.

Embora não se possa ignorar o lamentável esventramento da Europa do Leste, consequência directa mas não exclusiva das anexações soviéticas do final da guerra, este é um dia que urge não esquecer; o derradeiro clarão de esperança para tantos países que perderam tudo, um símbolo a conservar junto das gerações que lhe são estranhas.

A música, essa, não conhece ideologias. Razão pela qual aqui deixo – politiquices à parte – uma montagem teatral em redor da canção “Dia da Vitória – День Победы” (que muito curiosamente não é um dos hinos da Segunda Guerra Mundial como se poderia pensar, mas foi composta aquando do seu trigésimo aniversário, no seguimento de um concurso). Perdoe-se as legendas e efectue-se o devido desconto.

E que maravilhas da internet: alguém já introduziu a parada no YouTube. Com o privilégio de um comentário em inglês (só é um crime não se calarem durante o Adeus de Slavianka) ela pode ser acompanhada em quatro partes: aqui, aqui, aqui e aqui. Lamentavelmente, este ano a Katyusha só se faz ouvir durante o desfile de artilharia. Há uma certa ironia – ou uma intenção subtil – por detrás disso, mas esse é um apontamento que terá de ficar para outro dia.

Quanto aos russófilozinhos, e em honra de uma versão menos intrusiva, eis outra série de vídeos da parada deste ano que começa aqui. Há uma dimensão de ternura muito própria em pensar que existem veteranos desta era, expatriados pelo mundo, que podem recordar o fatídico dia através de uma pequena janelinha no computador, com os netos sobre o joelho ou a família em seu redor. Enquanto parada militar, é mais uma. Mas enquanto celebração da resistência humana, da importância da esperança, ou da simples alegria de viver, este é um evento formidável.

 

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