Notas marítimas

Porque não escrever mais sobre o mar? Como conseguir não pensar nele? Vejo-o todos os dias, naquele rio que chega a ser mar. Porque não escrever poesia sobre ele?

But look!

here come more crowds, pacing straight for the water, and seemingly bound for a dive.

Strange!

Nothing will content them but the extremest limit of the land; loitering under the shady lee of yonder warehouses will not suffice.

No.

They must get just as nigh the water as they possibly can without falling in. And there they stand–miles of them–leagues. Inlanders all, they come from lanes and alleys, streets and avenues–north, east, south, and west. Yet here they all unite.

A invocação da densa prosa marítima de Conrad pareceria já supérflua depois dos trechos inaugurais que Herman Melville nos legou. Não seria sequer necessário situar a história no oceano: depois de tão admirável passagem, podem repousar-se as armas à sombra deste místico anseio exemplarmente vertido em palavras. Supérfluo, eis que aparece Tom Castro

(da História Universal da Infâmia)

onde se lê que

(…) sentiu o apelo do mar.

O facto não é insólito. Run away to sea, fugir para o mar, é a rotura tradicional inglesa da autoridade dos pais, a iniciação heróica.

A geografia recomenda-o e até a Escritura (Salmos, 107):

«Os que se fizeram ao mar nos seus navios

para comerciarem nas grandes águas,

esses viram as obras do Senhor,

e as suas maravilhas no alto mar.» (…)

Dizer tão pouco sobre algo tão belo, ser tão vago sobre vagas tão definidas como o ondulação ou o horizonte azulino. Absurdo desejo, este, o mar! A unidade impossível do homem com a vastidão dos oceanos?

A ideia é apaziguadora e comovente; une o finito àquilo que parece não ter fim, e antes que fira por ser trágica revela-se impossível. A própria linguagem opera uma melíflua derrota no sonhador: sobre o mar, on the sea, sur la mer. Não dentro, nunca in, jamais sous.

Ingénua e maravilhosa é a abertura de Moby Dick, a reivindicação das altitudes de Ishmael assentes numa fruição tão superficial quanto a navegação das tábuas do Pequod sobre as desejadas ondas. Just a sailor: o desplante de uma casca de noz! Ele não é o fragor das águas, ele não é Moby Dick. Nem sequer é Ahab, que une a sua obsessão ardente às ondas cadentes e vive para sempre. É um simples homem em cima do mar (como todos nós, se tão longe chegarmos).

By reason of these things, then, the whaling voyage was welcome;

the great flood-gates of the wonder-world swung open,

and in the wild conceits that swayed me to my purpose, two and two there floated into my inmost soul, endless processions of the whale, and, mid most of them all, one grand hooded phantom, like a snow hill in the air.

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