O nocturno da criação

Neste serão de penumbra, terminei enfim um tortuoso primeiro trabalho que me ensinou que o meu ódio pela escrita e o meu amor pela criação da palavra são dois sentimentos inconciliáveis. Nem sei o que amo, quanto mais o que odeio. O mais provável é que simplesmente me odeie, a mim à minha fraqueza. Esta mente fraca que jamais consegue atravessar a película das evidências, esta pena que resvala diante da beleza que pulsa e vibra por detrás de carapaças mundanas.

Amanhã começa uma nova era: um novo caderno, o ritual de encher o tinteiro da minha caneta, novas folhas soltas e enormes sonhos, grandes entusiasmos que me removem das afinidades das companhias que me são aprazíveis. Uma nova história.

Só já não estou seguro de que a queira terminar.

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