Un matin du monde

Descia as velhas calçadas que escorrem da antiga Sé até às margens do nosso rio, negociando vielas adormecidas e rampas retorcidas. Soava no meu íntimo a Primeira Sinfonia de Mahler, a sinfonia dos dois começos, e as palavras do Aleph perpetuavam os seus ecos nas asas da minha mente.

Mas ao chegar ao rio, que um vento ambivalente percorria com a indecisão de uma época sem estações, nada mais que o simples contentamento do tempo e do espaço me invadiu. Depus as minhas maquinações, a gestão da minha agenda criativa, as formulações alternativas de frases e versos, as platitudes laborais do dia seguinte ou o encontro com um amigo daí a algumas horas.

Percorri a gincana de um Terreiro do Espaço esburacado e acidentado e enfaixado por tapumes – sacrifício da terra em prol do mar – e desemboquei na praça do município. Por essa altura, já me tinha dissolvido nessa estranhíssima realidade dissolúvel que pertence apenas à minha cidade.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: