Tempos futuros, enfraqueçam estas palavras

Lúgubre a luz que não sobrevive no meu coração. Se há que encarar a morte de frente após o comovente Adriano, há que saber lamentar, urdir uma resignação, nunca desesperar compreender. Há um pesado fracasso em todas as minhas palavras: o de não só nascerem débeis perante a vaga de emoções que as germina mas também aquele que irrompe da fatal e desfavorável comparação perante os textos que acabo de transcrever. Surgem-me tão cristalinos e humanos. Contêm uma clareza arrebatadora que se esvai em poemas e ilude algumas das mais inspiradas obras que possa encontrar. Doce é a opressão de não me saber à sua altura; ardente é o desejo de me votar ao absurdo que seria conseguir fazê-lo para depois me achar na mesma posição que imobiliza e frustra todos os homems que jamais terão deitado tinta a papel: de que nada existe que eu, caminhante do destino, viajante magnífico, possa aprender sobre o inexorável e a mágoa da morte.

Eu sou som, eu sou fúria. Eu sou a emoção das horas vazias e das declarações mudas. Sou o frémito incandescente de sentimentos que não sabem revelar-se, que elegem perecer entre mornas palavras de frágil construção. E extinguir-me-ei como uma vaga do oceano que se lança sobre baixios luzidios, impetuosa na confiança de que uma outra a seguirá! mas traída em tão terna crença quando vislumbra a calmaria que a sucede.

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